segunda-feira, agosto 18, 2003
O regresso
Regressei de um fim-de-semana prolongado em família onde o descanso imperou. Por opção fiquei longe de computadores, internet, telemóveis e relógios. O tempo foi repartido entre dormir e passear. Descansos assim são um luxo nos tempos que correm. Fazem bem ao corpo e à alma. Mas como o que é bom acaba depressa, cá estou eu para a rotina do dia-a-dia. O ‘bichinho’ do blog ainda cá continua……
quinta-feira, agosto 14, 2003
Crónica de um pai: dia 6
Dia 6. Acordei com uma boa noticia. A mãe reparou que um dentinho do bebé já se encontra a despontar. Nota-se uma pequena marca branca na gengiva. O puto está a crescer! Depois de mamar, voltou a dormir. Eu vencido pela preguiça deitei-me também. Acordamos já passava das 11.30. Começou o nosso dia. Ele foi brincar e eu fui preparar a sua refeição. Hoje resolvi variar na alimentação dele. Vou dar-lhe uma papa nova: a Cerelac Multifrutos. Parece-me uma boa papa. Junta banana, pêra e maça. Espero que goste. Quando fui busca-lo, encontrava-se ao fundo do colchão. Não sei como é que ele se movimenta tanto. A fralda só apresenta chichi. Ontem não evacuou durante o dia todo. Hoje a continuar assim, temos de lhe pôr o BebéGel.
12.30 começa a hora da refeição. Provo a papa e … ugh! É intragável! Na embalagem, a publicidade diz que “…os cereais hidrolisados (que raio é isto??) proporcionam um sabor doce e natural sem que tenha de juntar açúcar…”. Pergunto-me onde está o sabor doce? Prefiro a Nutribén, mas pode ser que o paladar dos bebés seja diferente. A sua reacção às primeiras colheres surpreendem-me pela positiva. Não sei se está com fome, se está distraído ou se gostou da papa, porque abre a boca para comer. Não tarda muito quando começa com o seu movimento de deitar a cabeça para trás. Não sei aonde é que aprendeu esta. Depressa começa a evitar a colher. Boca cerrada e não cede. Insisto e ele começa a refilar. Refila mas de boca fechada. É esperto! Aproveito para o sentar na cadeira e limpar-lhe o rosto. Sempre que me levanto para lavar a chucha no lavatório, faz um enorme sorriso. Ainda não percebi se gosta do som da água a correr ou se pensa que já acabou a refeição.
Recomeço esta árdua tarefa de o alimentar à colher. Tenho amigos meus, cujos filhos da mesma idade do meu, demoram 10 a 15 minutos para comer uma pratada de papa. São uns sortudos! Eu queixo-me, mas a verdade é que nunca passei uma note em branco por causa dele, ao contrário desses meus amigos. Bebés que dormem a noite inteira e comem a papa toda não existem. São mitos! Na verdade todas estas histórias tornam-se engraçadas daqui a uns anos ao recordarmos os tempos passados, mas no presente é preciso muita dose de paciência.
Por cada colher que lhe dou, ele faz uma expressão de agoniado. Começo a desconfiar que ele também não gosta da papa. Não o censuro. Insisto e ele começa a deitar tudo cá para fora. Os toalhetes de papel desaparecem a uma velocidade incrível. Ele começa a chorar. Desisto! Esta papa é uma m.....!!! Resolvo deitar fora o que resta no prato e fazer uma nova utilizando a outra farinha. Estimo que ele tenha comido o equivalente a 100 ml de água pelo que agora só utilizo 75 ml de água.
Esta ultima fase da refeição, é um misto de paciência com impaciência, de brincadeira com choradeira. Lá lhe vou dando, mas acho que ele pouco come. Vai ficar com fome. Ainda bem que mãe hoje vem mais cedo para casa. Aposto que a amamentação das 16.00 vai correr lindamente.
Levo-o para o quarto para limpa-lo. Mesmo com o babete, o corpo dele fica cheio de papa. Não se fazem babetes como antigamente! Sinto que a fralda tem um presente. Vou ver. Que "presentão"! Nunca pensei ficar tão satisfeito por ver uma cagada. Fralda limpa e dou-lhe água. Bebe, bebe e bebe. Hoje bebeu cerca de 50 ml. Cada dia bebe mais água. E a onda de calor está a diminuir!
Escada acima, escada abaixo e estamos na sala. Deixo-o a ver televisão. Para não variar, o tema continua a ser os incêndios. O Algarve está debaixo de fumo e fogo. A continuar assim, qualquer dia não há nada mais para queimar.
Ele hoje está um bocado chorão. Quer sempre a minha companhia. Quando me afasto começa a chorar. Não será o dente? Coloco-o ao pé de mim para almoçar. Quanto termino são 14.30, levo-o para o quarto dele para ver se dorme. Continua chorão. Ponho-o na minha cama. Junto as almofadas e demora 10 minutos a adormecer. É preciso conhecer os truques todos.
Vou preparar as coisas que quero levar para este fim-de-semana prolongado. Não me posso esquecer de levar o livro “O regresso do Rei”. Tenho de acabar de o ler antes do filme estrear. Vai ser a estreia do ano!
Por volta das 15.30 chega a mãe. Ele continua a dormir. Quando acordar fica entregue aos cuidados da mãe. Ela anda com saudades dele. Começamos a preparar as malas. Este fim-de-semana vai-nos fazer bem descansar. Até para a semana!
12.30 começa a hora da refeição. Provo a papa e … ugh! É intragável! Na embalagem, a publicidade diz que “…os cereais hidrolisados (que raio é isto??) proporcionam um sabor doce e natural sem que tenha de juntar açúcar…”. Pergunto-me onde está o sabor doce? Prefiro a Nutribén, mas pode ser que o paladar dos bebés seja diferente. A sua reacção às primeiras colheres surpreendem-me pela positiva. Não sei se está com fome, se está distraído ou se gostou da papa, porque abre a boca para comer. Não tarda muito quando começa com o seu movimento de deitar a cabeça para trás. Não sei aonde é que aprendeu esta. Depressa começa a evitar a colher. Boca cerrada e não cede. Insisto e ele começa a refilar. Refila mas de boca fechada. É esperto! Aproveito para o sentar na cadeira e limpar-lhe o rosto. Sempre que me levanto para lavar a chucha no lavatório, faz um enorme sorriso. Ainda não percebi se gosta do som da água a correr ou se pensa que já acabou a refeição.
Recomeço esta árdua tarefa de o alimentar à colher. Tenho amigos meus, cujos filhos da mesma idade do meu, demoram 10 a 15 minutos para comer uma pratada de papa. São uns sortudos! Eu queixo-me, mas a verdade é que nunca passei uma note em branco por causa dele, ao contrário desses meus amigos. Bebés que dormem a noite inteira e comem a papa toda não existem. São mitos! Na verdade todas estas histórias tornam-se engraçadas daqui a uns anos ao recordarmos os tempos passados, mas no presente é preciso muita dose de paciência.
Por cada colher que lhe dou, ele faz uma expressão de agoniado. Começo a desconfiar que ele também não gosta da papa. Não o censuro. Insisto e ele começa a deitar tudo cá para fora. Os toalhetes de papel desaparecem a uma velocidade incrível. Ele começa a chorar. Desisto! Esta papa é uma m.....!!! Resolvo deitar fora o que resta no prato e fazer uma nova utilizando a outra farinha. Estimo que ele tenha comido o equivalente a 100 ml de água pelo que agora só utilizo 75 ml de água.
Esta ultima fase da refeição, é um misto de paciência com impaciência, de brincadeira com choradeira. Lá lhe vou dando, mas acho que ele pouco come. Vai ficar com fome. Ainda bem que mãe hoje vem mais cedo para casa. Aposto que a amamentação das 16.00 vai correr lindamente.
Levo-o para o quarto para limpa-lo. Mesmo com o babete, o corpo dele fica cheio de papa. Não se fazem babetes como antigamente! Sinto que a fralda tem um presente. Vou ver. Que "presentão"! Nunca pensei ficar tão satisfeito por ver uma cagada. Fralda limpa e dou-lhe água. Bebe, bebe e bebe. Hoje bebeu cerca de 50 ml. Cada dia bebe mais água. E a onda de calor está a diminuir!
Escada acima, escada abaixo e estamos na sala. Deixo-o a ver televisão. Para não variar, o tema continua a ser os incêndios. O Algarve está debaixo de fumo e fogo. A continuar assim, qualquer dia não há nada mais para queimar.
Ele hoje está um bocado chorão. Quer sempre a minha companhia. Quando me afasto começa a chorar. Não será o dente? Coloco-o ao pé de mim para almoçar. Quanto termino são 14.30, levo-o para o quarto dele para ver se dorme. Continua chorão. Ponho-o na minha cama. Junto as almofadas e demora 10 minutos a adormecer. É preciso conhecer os truques todos.
Vou preparar as coisas que quero levar para este fim-de-semana prolongado. Não me posso esquecer de levar o livro “O regresso do Rei”. Tenho de acabar de o ler antes do filme estrear. Vai ser a estreia do ano!
Por volta das 15.30 chega a mãe. Ele continua a dormir. Quando acordar fica entregue aos cuidados da mãe. Ela anda com saudades dele. Começamos a preparar as malas. Este fim-de-semana vai-nos fazer bem descansar. Até para a semana!
quarta-feira, agosto 13, 2003
Crónica de um pai: dia 5
Dia 5. Hoje acordei ao som do tema “Star Wars”, ou seja, ao toque do meu telemóvel. Numa hora recebo três telefonemas. A minha mãe pede-me que envie fotografias recentes do neto via e-mail. Da agência de viagens, confirmam-me a reserva no hotel onde vou passar uns dias de descanso neste fds. Da organização do EURO'2004 informam-me que posso ficar descansado em relação ao pagamento dos bilhetes que me foram atribuidos. Resumindo: às 10.00 já estava levantado. Sinto uma carga positiva para este dia. Antes que o bebé acordasse, aproveitei para ir até à Internet enviar as fotos e ler os habituais diários on-line. O bebé ainda dormiu até as 11.30. Depois disso seguiu-se a rotina habitual até à hora da refeição. Hoje o dia parece-me mais fresco. Pode ser que abra o apetite!
Ao almoço, senti-me confiante para arriscar dar-lhe a papa pela colher em vez de utilizar o biberão. O buraco da tetina parece-me excessivamente pequeno para que a papa passe por ele. Mantenho a aposta na papa de marca “Nutribén”. 12.30 PM começa a “hora”! Ao colo, as primeiras colheres são fáceis, apesar das “fintas”. A meio da refeição, o balanço é o positivo. Depois tenho de o sentar. Ele encontra-se todo suado. O corpo transpira calor. Na cadeira, o seu poder de “finta” é bastante bom. Têm mais espaço. Aproveito para limpa-lo e mudar de táctica. Não sei porquê mas para lhe chamar a atenção resolvo começar a cantar. Cantigas infantis. Como não sei as letras completas, introduzo algumas variações: canto a abelha maia com a das galinhas, a do marco com o atirei-o-pau-ao-gato. Ele diverte-se imenso. Ri-se perdidamente. A minha figura deve ser linda! Aproveito para lhe dar mais umas colheres de papa. A musica proporciona sem dúvida momentos únicos! Para o fim, já nem a música ajuda. Também comeu quase tudo. Quando comparado com ontem, o dia hoje corre bem. Tenho é de apontar isto para não esquecer: decorar músicas infantis!
13.30 e levo-o para cima. Hoje ainda não fez cocó. Não é normal nele mas este calor deve afecta-lo. Ao limpa-lo da papa, refila sempre que passo a esponja. Aproveito para lhe dar água. Ele já sabe. Agarra no biberão sozinho. Eu apenas ajeito. Bebe bastante. Hoje bebeu cerca de 40 ml.
Levo-o para a sala e ponho-o a ver televisão. Também já se tornou rotina. Quando termino o almoço, levo-o para o quarto. Está quente o ar. Deito-o e ele começa logo a chorar. Vou buscar uma revista para abana-lo. Felizmente que dão descida das temperaturas a partir de amanha. Ele não consegue dormir. Resolvo leva-lo para o meu quarto e deita-lo na minha cama. Como a cama é grande dá uma sensação de frescura. Ele fica-se. Rebola para um lado e para o outro. Tem uma fixação por pontas de lençóis, neste caso, de fronhas. Quase que consegue dar a volta sozinho. Está a progredir bem. Tenho é de ter cuidado para ele não adormecer de barriga para baixo. Brinco com ele um bocado. Dou-lhe beijinhos na zona do pescoço. Ele gosta e ri-se baixinho. Mimo de mais este puto, mas não consigo resistir. Noto que o “João-pestana” está a chegar. Aproveito para sair discretamente.
Assim que ele adormecer, vou aproveitar para ir comprar o jornal. É a primeira vez que o deixamos sozinho em casa. Tomo todas as precauções. Desligo a ventoinha e coloco almofadas em volta dele. Não deve haver problemas de maior. Dez minutos depois, quando regresso verifico que nem deu pela minha falta. Dorme que nem um anjo.
Só acorda por volta das 16.00. Como hoje, a mãe só chega daqui a meia-hora, fico na 'conversa' com ele. Ri-se às gargalhadas com os sons que faço. Noto que cada dia que passa, a relação pai-filho sai fortalecida. Cada gargalhada dele é um ano de vida que ganho. Não existe maior prazer do que ouvi-lo a rir. Não troco estes meus 10 dias com ele por nada deste mundo!
Ao almoço, senti-me confiante para arriscar dar-lhe a papa pela colher em vez de utilizar o biberão. O buraco da tetina parece-me excessivamente pequeno para que a papa passe por ele. Mantenho a aposta na papa de marca “Nutribén”. 12.30 PM começa a “hora”! Ao colo, as primeiras colheres são fáceis, apesar das “fintas”. A meio da refeição, o balanço é o positivo. Depois tenho de o sentar. Ele encontra-se todo suado. O corpo transpira calor. Na cadeira, o seu poder de “finta” é bastante bom. Têm mais espaço. Aproveito para limpa-lo e mudar de táctica. Não sei porquê mas para lhe chamar a atenção resolvo começar a cantar. Cantigas infantis. Como não sei as letras completas, introduzo algumas variações: canto a abelha maia com a das galinhas, a do marco com o atirei-o-pau-ao-gato. Ele diverte-se imenso. Ri-se perdidamente. A minha figura deve ser linda! Aproveito para lhe dar mais umas colheres de papa. A musica proporciona sem dúvida momentos únicos! Para o fim, já nem a música ajuda. Também comeu quase tudo. Quando comparado com ontem, o dia hoje corre bem. Tenho é de apontar isto para não esquecer: decorar músicas infantis!
13.30 e levo-o para cima. Hoje ainda não fez cocó. Não é normal nele mas este calor deve afecta-lo. Ao limpa-lo da papa, refila sempre que passo a esponja. Aproveito para lhe dar água. Ele já sabe. Agarra no biberão sozinho. Eu apenas ajeito. Bebe bastante. Hoje bebeu cerca de 40 ml.
Levo-o para a sala e ponho-o a ver televisão. Também já se tornou rotina. Quando termino o almoço, levo-o para o quarto. Está quente o ar. Deito-o e ele começa logo a chorar. Vou buscar uma revista para abana-lo. Felizmente que dão descida das temperaturas a partir de amanha. Ele não consegue dormir. Resolvo leva-lo para o meu quarto e deita-lo na minha cama. Como a cama é grande dá uma sensação de frescura. Ele fica-se. Rebola para um lado e para o outro. Tem uma fixação por pontas de lençóis, neste caso, de fronhas. Quase que consegue dar a volta sozinho. Está a progredir bem. Tenho é de ter cuidado para ele não adormecer de barriga para baixo. Brinco com ele um bocado. Dou-lhe beijinhos na zona do pescoço. Ele gosta e ri-se baixinho. Mimo de mais este puto, mas não consigo resistir. Noto que o “João-pestana” está a chegar. Aproveito para sair discretamente.
Assim que ele adormecer, vou aproveitar para ir comprar o jornal. É a primeira vez que o deixamos sozinho em casa. Tomo todas as precauções. Desligo a ventoinha e coloco almofadas em volta dele. Não deve haver problemas de maior. Dez minutos depois, quando regresso verifico que nem deu pela minha falta. Dorme que nem um anjo.
Só acorda por volta das 16.00. Como hoje, a mãe só chega daqui a meia-hora, fico na 'conversa' com ele. Ri-se às gargalhadas com os sons que faço. Noto que cada dia que passa, a relação pai-filho sai fortalecida. Cada gargalhada dele é um ano de vida que ganho. Não existe maior prazer do que ouvi-lo a rir. Não troco estes meus 10 dias com ele por nada deste mundo!
Em contagem decrescente...
Já estou em estágio para o grande jogo. A partir da 20.00 h ninguem me tira da frente da televisão. Força Benfica!
terça-feira, agosto 12, 2003
Crónica de um pai: dia 4
Dia 4. Há dias assim. Se ontem eu não acordava, hoje ele não adormecia. Já não me lembrava de noites quentes como estas desde os meus 20 anos em que passava noites em claro devido ao calor. O meu filho tem menos sorte, tem 5 meses e para ele as noites já começam a ser mais curtas. Hoje acordou ás 8 da manha para comer e pouco dormiu depois. Eu acompanhei-o. Eram 10.30 AM e já se encontrava no colchão de actividades. Aproveitei para tomar um duche de água fria. Enquanto ele brincava resolvi ir ver o que se passa pelo mundo, através da televisão. As imagens dos incêndios em Portugal continuam a preencher o ecrã da televisão. Agora é em Aljezur.
Resolvo dar-lhe a refeição mais cedo. Às 12.15 já estava tudo pronto para a ‘pior’ hora do dia. Ele sorri como se adivinhasse o meu stress. Ponho-o ao meu colo para as primeiras colheres. Começa a resistência do costume. Agora ganhou o hábito de inclinar a cabeça completamente para trás. Faz-me impressão este movimento dele. A minha dificuldade em lhe dar a papa deve fazer aumentar a temperatura. Está bastante calor! Faço uma pausa para limpezas. Esta hora do dia é a aula de pintura corporal! São tantos os salpicos de papa no corpo dele e no meu, que repoduzimos autênticos quadros de Miró. É por isso que sempre que acaba a refeição fico com a dúvida se ele comeu o suficiente. Amanha levo-o à farmácia para controlar o peso dele. Sento-o agora na cadeira. Numa mão levo a colher e na outra a chupeta. Quase que resulta não fosse ele levar o babete à boca. Bonito serviço! Passámos para a aula de pintura facial. Nova pausa para limpeza. Amanha, se calhar, utilizo o biberão para lhe dar a papa. Recomeço. A muito custo lá vou conseguindo que ele coma. Já são 13.15 e ainda falta um bocado. Tenho de lhe dar tudo para compensar o desperdício. Noto que ele já está farto. Começa a chorar. Aproveito a boca aberta para lhe dar as ultimas colheres. Ufffa!!! Por hoje já está!
Levo-o para o quarto para limpa-lo com uma esponja e mudar-lhe a fralda. Recomeça o choro. Fico na dúvida se por causa do calor ou se ficou com fome. Assim que lhe dou uma fralda para brincar, esquece-se de chorar. Quer é mimo. São 63 cm de manhas! Limpeza feita, fralda mudada é hora de dar água através do biberão. Ele percebe, porque a reacção imediata é abrir a boca. Faz mais, agarra no biberão. Bebe com prazer. Controlo a quantidade. Bebeu cerca de 30 ml. Já chega. Durante o dia vou-lhe dando mais.
Pô-lo a dormir está fora de questão. Os seus olhos muito abertos e curiosos indicam-me que está ai prás voltas. Levo-o para a sala, para a espreguiçadeira. Ligo a TV. É o fascínio pela televisão.
Duas da tarde e começo a almoçar. Ele encontra-se entretido a ver televisão ao mesmo tempo que ‘mastiga’ um boneco. Estes bonecos de borracha são óptimos para quando vierem os dentes, mas isso fica para outras crónicas.
São 14.30 e noto que ele começa a ficar com sono. Os sinais característicos são: cabeça inclinada e agarra na fralda de pano. Agora sim, está na hora de o levar para cima. Como baixei a tela da janela, o quarto dele está mais fresco que o resto da casa. Ponho-o na cama e coloco uns bonecos suspensos por cima da cabeça dele. Sempre gostou destes bonecos. Deixo-o ficar. Quando adormecer, deve dormir quase até a mãe chegar. Vou aproveitar para limpar a cozinha. Quando entro, deparo-me com um cenário de guerra. Existe papa em todo o lado. No chão, na cadeira, na mesa. O babete encontra-se completamente empapado. Quase um rolo de toalhas de papel que foi utilizado encontra-se amarrotado sobre a mesa. Perco à vontade 15 minutos nesta tarefa. Há dias assim, felizmente não são todos os dias.
Quando termino vou vê-lo. Encontra-se a dormir. Aproveito para ir até à Internet. Optimista, penso que amanha será um dia melhor!
Resolvo dar-lhe a refeição mais cedo. Às 12.15 já estava tudo pronto para a ‘pior’ hora do dia. Ele sorri como se adivinhasse o meu stress. Ponho-o ao meu colo para as primeiras colheres. Começa a resistência do costume. Agora ganhou o hábito de inclinar a cabeça completamente para trás. Faz-me impressão este movimento dele. A minha dificuldade em lhe dar a papa deve fazer aumentar a temperatura. Está bastante calor! Faço uma pausa para limpezas. Esta hora do dia é a aula de pintura corporal! São tantos os salpicos de papa no corpo dele e no meu, que repoduzimos autênticos quadros de Miró. É por isso que sempre que acaba a refeição fico com a dúvida se ele comeu o suficiente. Amanha levo-o à farmácia para controlar o peso dele. Sento-o agora na cadeira. Numa mão levo a colher e na outra a chupeta. Quase que resulta não fosse ele levar o babete à boca. Bonito serviço! Passámos para a aula de pintura facial. Nova pausa para limpeza. Amanha, se calhar, utilizo o biberão para lhe dar a papa. Recomeço. A muito custo lá vou conseguindo que ele coma. Já são 13.15 e ainda falta um bocado. Tenho de lhe dar tudo para compensar o desperdício. Noto que ele já está farto. Começa a chorar. Aproveito a boca aberta para lhe dar as ultimas colheres. Ufffa!!! Por hoje já está!
Levo-o para o quarto para limpa-lo com uma esponja e mudar-lhe a fralda. Recomeça o choro. Fico na dúvida se por causa do calor ou se ficou com fome. Assim que lhe dou uma fralda para brincar, esquece-se de chorar. Quer é mimo. São 63 cm de manhas! Limpeza feita, fralda mudada é hora de dar água através do biberão. Ele percebe, porque a reacção imediata é abrir a boca. Faz mais, agarra no biberão. Bebe com prazer. Controlo a quantidade. Bebeu cerca de 30 ml. Já chega. Durante o dia vou-lhe dando mais.
Pô-lo a dormir está fora de questão. Os seus olhos muito abertos e curiosos indicam-me que está ai prás voltas. Levo-o para a sala, para a espreguiçadeira. Ligo a TV. É o fascínio pela televisão.
Duas da tarde e começo a almoçar. Ele encontra-se entretido a ver televisão ao mesmo tempo que ‘mastiga’ um boneco. Estes bonecos de borracha são óptimos para quando vierem os dentes, mas isso fica para outras crónicas.
São 14.30 e noto que ele começa a ficar com sono. Os sinais característicos são: cabeça inclinada e agarra na fralda de pano. Agora sim, está na hora de o levar para cima. Como baixei a tela da janela, o quarto dele está mais fresco que o resto da casa. Ponho-o na cama e coloco uns bonecos suspensos por cima da cabeça dele. Sempre gostou destes bonecos. Deixo-o ficar. Quando adormecer, deve dormir quase até a mãe chegar. Vou aproveitar para limpar a cozinha. Quando entro, deparo-me com um cenário de guerra. Existe papa em todo o lado. No chão, na cadeira, na mesa. O babete encontra-se completamente empapado. Quase um rolo de toalhas de papel que foi utilizado encontra-se amarrotado sobre a mesa. Perco à vontade 15 minutos nesta tarefa. Há dias assim, felizmente não são todos os dias.
Quando termino vou vê-lo. Encontra-se a dormir. Aproveito para ir até à Internet. Optimista, penso que amanha será um dia melhor!
segunda-feira, agosto 11, 2003
Sessão da Meia-Noite (2)
Fui a mais uma das minhas sessões da meia-noite ao cinema aqui do lado. Aproveitei a estreia do “Culpado ou Inocente?” para rever um dos meus actores preferidos: Kevin Spacey. A acção do filme versa a Pena de Morte. Um tema sobre o qual dedicarei um dia destes um post aqui no blog. No filme, percebe-se a posição (contra) do realizador, o inglês Alan Parker, sobre o assunto, mas fica-me a dúvida se não existiria melhor forma de fazer passar a mensagem. Será que os fins justificam os meios ?
Um filme mediano, pena é a presença do Kevin. Sobre a pena capital, na minha opinião há filmes mais interessantes, entre os quais destaco “A ultima caminhada” de Tim Robbins e “A ultima dança” de Bruce Beresfod. Paguei € 4.90 pelo bilhete quando o filme vale € 2.94.
Um filme mediano, pena é a presença do Kevin. Sobre a pena capital, na minha opinião há filmes mais interessantes, entre os quais destaco “A ultima caminhada” de Tim Robbins e “A ultima dança” de Bruce Beresfod. Paguei € 4.90 pelo bilhete quando o filme vale € 2.94.
Crónica de um pai: dia 3
Dia 3. Hoje foi um dia atípico. Acordei tarde, faltavam 10 minutos para o meio-dia. Nem dei pelo bebé a reclamar pela sua hora de brincadeira. Têm toda a razão na reclamação. Pelo ar abafado da casa, noto que hoje vai ser um daqueles dias muito quentes. Nunca uma chuvada valente deve ter sido tão desejada por esse país fora!
Começo logo por preparar a papa. Seguindo a sugestão da mãe, hoje faço-a mais grossa. Ela diz que ele come melhor assim. Quando o vou buscar, ele encontra-se entretido a brincar. Como bonecos não lhe faltam, nem se lembra que tem de comer. Noto que a fralda tem cocó. Vou muda-la antes da refeição.
A fralda está cheia! É impressionante, a continuar assim, temos de usar o número da fralda superior. Ele está eléctrico, para não variar. Uso 4 toalhetes “Dodot” para o limpar todo. Gasto, provavelmente, o dobro que a mãe gasta para situações idênticas, mas também sou mais esquisito. Sempre fui assim, em termos de higiene. Limpo duas, três vezes, as que forem necessárias até ficar convencido que ficou tudo bem limpo.
Hoje resolvi experimentar dar-lhe de comer no meu colo. Com a mãe, funciona, mas ela também tem mais experiência. Ao princípio, as coisas parecem correr bem. Ele não é daqueles bebés de comer e chorar por mais, por isso dificilmente abre a boca. Tenho de forçar a entrada. A colher é de silicone, bastante maleável, portanto não o aleija.
A muito custo vai comendo. Já transpiramos os dois. Resolvo coloca-lo na cadeira para dar-lhe o resto da papa. O babete encontra-se completamente empapado. Num momento de distracção minha, ele aproveita para encostar o babete na cara. Poças! Ficou com a cara completamente pintada de amarelo da papa. Testa, olhos, nariz, bochechas, boca, queixo. Ele olha para mim e começa-se a rir. Limpar este quadro não vai ser fácil. As toalhas de papel voam a uma velocidade vertiginosa. Aliada aos toalhetes “dodot” devem ser dos produtos que mais se gasta cá em casa. Já são 13.15 e ainda falta um bom bocado no prato. Ele começa a dar sinais que está farto. Já não há chupeta nem bonecos que ajudem. Tenho de continuar a insistir. O desperdício já é superior ao que ele come. Termino a refeição. Ele deve-se aperceber. Faz um enorme sorriso.
14.45 dava-me jeito adormece-lo logo, pois ainda nem sequer tomei banho e tenho um almoço para fazer. O quarto dele está quente. Fico um bocado com ele e retiro-me discretamente. A meio do banho, oiço-o a chorar. É pior do que ficar sem gaz para aquecer a água. É que eu tomo banho de água fria. Tenho de acabar este relaxante banho rapidamente. Não há nada melhor do que a água fria a bater-nos no rosto em dias muito quentes. O choro aumenta de volume. Lá vou eu a pingar a casa! Não me parece que adormeça. Está completamente eléctrico. Mexe os braços e as pernas energicamente. O sono deve ter ido de férias!
Coloco-o no colchão de actividades enquanto visto uns calções. De seguida pego nele e levo-o para a sala para a espreguiçadeira e ligo a televisão. Dizem que a TV é a baby-sitter dos americanos e com razão. Ele fica completamente fixado nas imagens que passam no ecran. Almoço na companhia dele e das imagens da volta a Portugal em bicicleta.
São 15.30 volto a coloca-lo na cama dele. Demora a adormecer. Isto hoje está completamente fora da rotina. Adormeceu. Prometo não voltar a acordar tarde!
Começo logo por preparar a papa. Seguindo a sugestão da mãe, hoje faço-a mais grossa. Ela diz que ele come melhor assim. Quando o vou buscar, ele encontra-se entretido a brincar. Como bonecos não lhe faltam, nem se lembra que tem de comer. Noto que a fralda tem cocó. Vou muda-la antes da refeição.
A fralda está cheia! É impressionante, a continuar assim, temos de usar o número da fralda superior. Ele está eléctrico, para não variar. Uso 4 toalhetes “Dodot” para o limpar todo. Gasto, provavelmente, o dobro que a mãe gasta para situações idênticas, mas também sou mais esquisito. Sempre fui assim, em termos de higiene. Limpo duas, três vezes, as que forem necessárias até ficar convencido que ficou tudo bem limpo.
Hoje resolvi experimentar dar-lhe de comer no meu colo. Com a mãe, funciona, mas ela também tem mais experiência. Ao princípio, as coisas parecem correr bem. Ele não é daqueles bebés de comer e chorar por mais, por isso dificilmente abre a boca. Tenho de forçar a entrada. A colher é de silicone, bastante maleável, portanto não o aleija.
A muito custo vai comendo. Já transpiramos os dois. Resolvo coloca-lo na cadeira para dar-lhe o resto da papa. O babete encontra-se completamente empapado. Num momento de distracção minha, ele aproveita para encostar o babete na cara. Poças! Ficou com a cara completamente pintada de amarelo da papa. Testa, olhos, nariz, bochechas, boca, queixo. Ele olha para mim e começa-se a rir. Limpar este quadro não vai ser fácil. As toalhas de papel voam a uma velocidade vertiginosa. Aliada aos toalhetes “dodot” devem ser dos produtos que mais se gasta cá em casa. Já são 13.15 e ainda falta um bom bocado no prato. Ele começa a dar sinais que está farto. Já não há chupeta nem bonecos que ajudem. Tenho de continuar a insistir. O desperdício já é superior ao que ele come. Termino a refeição. Ele deve-se aperceber. Faz um enorme sorriso.
14.45 dava-me jeito adormece-lo logo, pois ainda nem sequer tomei banho e tenho um almoço para fazer. O quarto dele está quente. Fico um bocado com ele e retiro-me discretamente. A meio do banho, oiço-o a chorar. É pior do que ficar sem gaz para aquecer a água. É que eu tomo banho de água fria. Tenho de acabar este relaxante banho rapidamente. Não há nada melhor do que a água fria a bater-nos no rosto em dias muito quentes. O choro aumenta de volume. Lá vou eu a pingar a casa! Não me parece que adormeça. Está completamente eléctrico. Mexe os braços e as pernas energicamente. O sono deve ter ido de férias!
Coloco-o no colchão de actividades enquanto visto uns calções. De seguida pego nele e levo-o para a sala para a espreguiçadeira e ligo a televisão. Dizem que a TV é a baby-sitter dos americanos e com razão. Ele fica completamente fixado nas imagens que passam no ecran. Almoço na companhia dele e das imagens da volta a Portugal em bicicleta.
São 15.30 volto a coloca-lo na cama dele. Demora a adormecer. Isto hoje está completamente fora da rotina. Adormeceu. Prometo não voltar a acordar tarde!
Números para reflectir.... (actualização)
- 15 mortos
- 300.000 hectares de floresta queimada (actualizado)
- 1.000.000.000 de euros de prejuízos
- 300.000 hectares de floresta queimada (actualizado)
- 1.000.000.000 de euros de prejuízos
Sugestão para férias
No seguimento do post anterior recomendo os filmes “Encontros Imediatos do 3º Grau” , "E.T." , ambos de Steven Spielberg e “Contacto” de Robert Zemeckis.
ET
Registo aqui a minha satisfação pessoal pelo facto da aplicação de busca de vida inteligente extraterrestre SETI@home instalada no meu computador ter completado a análise n.º 200, colocando-me assim na posição 556.883º entre 4.620.976 ‘pesquisadores’ espalhados pelos quatros cantos do Globo. Participo porque acredito que algures "out there" existem outras formas de vida inteligentes.
Num Universo cujos limites ainda não conhecemos, a ausência de vida extraterrestre representaria um enorme desperdício de Espaço.
Num Universo cujos limites ainda não conhecemos, a ausência de vida extraterrestre representaria um enorme desperdício de Espaço.
sexta-feira, agosto 08, 2003
Números para reflectir...
- 15 mortos
- 162.000 hectares de floresta queimada
- 1.000.000.000 de euros de prejuízos
- 162.000 hectares de floresta queimada
- 1.000.000.000 de euros de prejuízos
Problemas técnicos
Pronto, problemas técnicos (leia-se bloqueio do blog e falta de conhecimentos informáticos para repor a normalidade) levaram-me a que cancelasse o contador. Ao fim de 3 dias, registava 30 visitas (das quais 80% provavelmente eram minhas!), o que significa que mais 5 pessoas também leram o que eu escrevi. Face ao anonimato do blog, é(foi) óptimo. Mas agora já está!
Informação estatística
Na semana de 28 de Julho a 3 de Agosto, morreram nas estradas portuguesas 31 pessoas.
Crónica de um pai: dia 2
Dia 2. O dia hoje começou mais cedo. Às 8.45 AM a mãe depois de lhe dar de mamar, pediu-me para mudar as fraldas ao bebé, porque já estava atrasada para o emprego. Apenas tinha chichi. As papas andam a mexer com os intestinos dele. Antes sempre que acordava, fazia uma descarga sólida agora é só líquidos. Coloquei-o de novo na cama dele, para mais duas horas e meia de sono. Antes de adormecer, fala bastante, mas infelizmente ainda não inventaram um tradutor de linguagem-bebé. Tinha curiosidade em saber o que dizia. São 11.27 AM quando acorda. A hora da brincadeira é sagrada. Verifico que existe um mosquito no quarto. Odeio insectos dentro da casa. Uma mancha de sangue na parede marca o local onde o insecto foi esmagado. Alimentou-se bem durante a noite! Vou-me arranjar. Observo-o pela porta entreaberta. Hoje está a dar atenção a um dos bonecos menos escolhidos ultimamente. Continua bastante falador. O relógio já marca 12.15 PM quando começo a preparar o estamine para lhe dar a papa. É importante ter tudo o que necessito ao alcance da mão: toalhas de papel (bastantes), uma fralda, chupeta, um boneco. Vou buscar um novo babete. Felizmente alguém nos ofereceu uma colecção de 12 diferentes. Não sei se um para cada mês, mas com o meu filho é um por dia. Coloco-o na sua cadeira e começa a aventura. O seu olhar desconfiado faz-me pensar que hoje não vai ser tão fácil como ontem. Primeira colher e boca fechada. Desvio para a esquerda, para a direita, tá visto que não vai ser fácil. Utilizo a chupeta para lhe dar a papa. A muito custo lá vai comendo. Este calor continua a não facilitar nada a tarefa. É quase uma da tarde e o caos está instalado. Papa salpicada por todo o lado. Eu tambem preciso de um babete! Neste momento, um boneco de borracha cheio de papa também ajuda na confusão. Eu aproveito. Sempre que abre a boca para o boneco eu dou-lhe uma colher. O tronco dele é um misto de suor e papa, eu também sinto os pingos a escorrer pelas costas. Socorro!!!
13.15 ainda só comeu 2/3 do prato. Intervalo para limpezas. Retiro-o da cadeira para limpa-lo. Mais valia dar-lhe banho. Ao colo não me dá jeito dar-lhe de comer. Volto a coloca-lo na cadeira. Recomeça o suplício. Confirmam-se os meus receios de ontem. O tempo vai passando. Ele começa a chorar. Está farto e cheio de calor. Tem toda a razão. Dou por terminada a refeição. Comeu menos que ontem, pode ser que mame mais logo à tarde.
Na limpeza pós refeição, o pior mesmo é limpar a papa das narinas. Ele não gosta nada. É difícil utilizar um cotonete numa cabeça em constante movimento. Fica sempre eléctrico quando o deito no muda-fraldas. A culpa também é minha. Dou-lhe sempre uma fralda para ele brincar. Já o habituei mal! Hoje não fez nenhum presente. Anda completamente desregulado.
Coloco-o na sua cama, para ver se o consigo adormecer. Bonecada espalhada e dez minutos de conversa são suficientes. Dorme que nem um anjo.
São 14.20 vou começar a preparar o meu almoço. Para não variar, bife acompanhado de arroz e batata frita com sabor a presunto (as minhas preferidas!). Gosto de refeições práticas. Geralmente almoço na sala para acompanhar as notícias. Continuam os incêndios. Faz-me pena ver as populações e os bombeiros a combaterem os fogos com o coração. Sem meios adequados. Nem escrevo o que penso sobre isto, senão passava o resto da crónica a insultar a nossos políticos!
São 15.00 e não o oiço. Geralmente dorme cerca de meia-hora e hoje já vai em quase uma hora. Vou espreita-lo. Continua nos braços de Morfeu.
Aproveito para arrumar umas coisas, falar com a mãe pelo telemóvel e ligar-me à Internet. Leio os diários on-line, incluindo os desportivos e alguns blogs que constam nos ‘meus favoritos’. Poucas actualizações. Agosto é sem dúvida do mês de férias dos portugueses.
Por volta das 15.30, o pequeno acorda. Acorda a chorar, mas assim que me vê faz o maior sorriso deste mundo, como só ele sabe fazer. Adoro este puto! Ponho-me a brincar com ele até a mãe chegar, o que acontece por volta das 16.15. Mais um dia que passou e continua tudo sob controlo. Até Segunda.
13.15 ainda só comeu 2/3 do prato. Intervalo para limpezas. Retiro-o da cadeira para limpa-lo. Mais valia dar-lhe banho. Ao colo não me dá jeito dar-lhe de comer. Volto a coloca-lo na cadeira. Recomeça o suplício. Confirmam-se os meus receios de ontem. O tempo vai passando. Ele começa a chorar. Está farto e cheio de calor. Tem toda a razão. Dou por terminada a refeição. Comeu menos que ontem, pode ser que mame mais logo à tarde.
Na limpeza pós refeição, o pior mesmo é limpar a papa das narinas. Ele não gosta nada. É difícil utilizar um cotonete numa cabeça em constante movimento. Fica sempre eléctrico quando o deito no muda-fraldas. A culpa também é minha. Dou-lhe sempre uma fralda para ele brincar. Já o habituei mal! Hoje não fez nenhum presente. Anda completamente desregulado.
Coloco-o na sua cama, para ver se o consigo adormecer. Bonecada espalhada e dez minutos de conversa são suficientes. Dorme que nem um anjo.
São 14.20 vou começar a preparar o meu almoço. Para não variar, bife acompanhado de arroz e batata frita com sabor a presunto (as minhas preferidas!). Gosto de refeições práticas. Geralmente almoço na sala para acompanhar as notícias. Continuam os incêndios. Faz-me pena ver as populações e os bombeiros a combaterem os fogos com o coração. Sem meios adequados. Nem escrevo o que penso sobre isto, senão passava o resto da crónica a insultar a nossos políticos!
São 15.00 e não o oiço. Geralmente dorme cerca de meia-hora e hoje já vai em quase uma hora. Vou espreita-lo. Continua nos braços de Morfeu.
Aproveito para arrumar umas coisas, falar com a mãe pelo telemóvel e ligar-me à Internet. Leio os diários on-line, incluindo os desportivos e alguns blogs que constam nos ‘meus favoritos’. Poucas actualizações. Agosto é sem dúvida do mês de férias dos portugueses.
Por volta das 15.30, o pequeno acorda. Acorda a chorar, mas assim que me vê faz o maior sorriso deste mundo, como só ele sabe fazer. Adoro este puto! Ponho-me a brincar com ele até a mãe chegar, o que acontece por volta das 16.15. Mais um dia que passou e continua tudo sob controlo. Até Segunda.
quinta-feira, agosto 07, 2003
Crónica de um pai: dia 1
Dia 1. O dia começou bem, a mãe deu-lhe de mamar às 8.15 AM e foi para o emprego, ele adormeceu novamente. Eu também. Marcava o relógio 11.30 AM, quando realmente começou esta minha aventura. Preciso como um relógio suíço, acordou exactamente à hora em que acorda todos os dias. Rotina subsequente: pegar nele e coloca-lo no colchão de actividades, juntamente com os seus brinquedos. Com a idade dele, a brincadeira consiste em pegar nos bonecos e nas rocas e leva-las à boca, mas assim fica entretido por uma hora, o tempo suficiente para eu tomar banho, arranjar-me e começar a preparar a papa para lhe dar. São 150 ml de água mais umas quatro ou cinco colheres de farinha. Hoje optei pela “Nutribén” - o sabor desta papa até que nem é mau. Começa então a hora mais difícil do dia. Dar-lhe de comer. Pelo que a mãe me têm contado nos outros dias, desconfio que o puto não gosta nada de papas, mas não pode ficar sem comer. Fui busca-lo ao quarto, trouxe-o para a cozinha e coloquei-o na sua cadeira. Parece um rei no seu trono. O petiz, tal como o pai, anda em tronco nu. Este calor obriga! Babete posto e marca o relógio 12.35 PM. Para grande surpresa minha, as primeiras colheres até correram muito bem, e eu ainda não utilizei nenhum dos meus truques para ele abrir a boca. A meio da refeição, o caso começa a mudar de figura. Finta para a esquerda, finta para direita, esquiva-se à colher. Este puto ainda vai ser jogador da bola! A papa começa então a espalhar-se pelo seu corpo e pelo meu. É mãos, é tronco e a cadeira. A cara dele está completamente pintada. Pausa para limpezas. Recomeço, com o truque n.º 1: a chupeta. Sempre que abre a boca para apanha-la dou-lhe uma colher de papa mais a chupeta. Isto funciona para umas 5,6 colheradas. Depois apercebe-se que anda a ser enganado. Já não quer a chupeta. Sai então da manga o truque n.º 2. Pego num boneco dele e ponho-me a brincar com ele. Ele divertido, vai abrindo a boca, e lá entram mais umas 5 colheres de papa. Já são 13.05 PM e o prato começa a ficar vazio. São 13.15 PM dou por terminada a refeição. Estou surpreendido, ao contrário do meu pessimismo, a hora da refeição até correu bem. No prato pouco resta de papa e o desperdício até não foi muito. Comeu bem, face às expectativas.
Dou-lhe um bocado de água e levo-o para o quarto para limpa-lo com uma esponja. A papa quando seca é terrível. Ele está todo divertido e se ele está, eu também estou. Não há bela sem senão. Devia ter desconfiado, até porque o cheiro não engana. Uma real cagada assenta na fralda. Devido às papas, apresenta-se sob a forma de uma massa consistente de cor acastanhada. Esta é sem dúvida das piores tarefas que me espera nestes 10 dias.
São 13.30 PM o calor está cada vez pior. Vou ver se o consigo pôr a dormir: Dava-me jeito, até porque ainda não almocei. Deito-o na cama e distribuo os bonecos à volta dele. Encontra-se todo suado, coitado. Faço da minha mão um leque e começo a abanar. Ele vira-se e agarra na chupeta. É bom sinal. Quando faz isto geralmente adormece. Continuo a abanar a mão. Um quarto de hora depois está a dormir. Os deuses estão do meu lado!
Preparo a minha refeição. Obrigado por terem inventado o micro-ondas. De repente oiço um choro. É ele. Deve ter caído a chupeta, espero eu. Chego ao quarto. O ar é quente. É o raio do calor. Dou-lhe a chupeta e abano-o mais um bocado, acaba por adormecer.
Esta soneca prolonga-se por uma hora. São 15.00 PM toca o telemóvel. É a mãe a avisar que vai chegar mais cedo. O puto deve estar a acordar. Dito e feito. Acorda a chorar. Sempre acordou a chorar. Vou busca-lo. Fico a brincar com ele até a mãe chegar. Esta é definitivamente a melhor parte do dia. Chegou a mãe. Por hoje já está.
Dou-lhe um bocado de água e levo-o para o quarto para limpa-lo com uma esponja. A papa quando seca é terrível. Ele está todo divertido e se ele está, eu também estou. Não há bela sem senão. Devia ter desconfiado, até porque o cheiro não engana. Uma real cagada assenta na fralda. Devido às papas, apresenta-se sob a forma de uma massa consistente de cor acastanhada. Esta é sem dúvida das piores tarefas que me espera nestes 10 dias.
São 13.30 PM o calor está cada vez pior. Vou ver se o consigo pôr a dormir: Dava-me jeito, até porque ainda não almocei. Deito-o na cama e distribuo os bonecos à volta dele. Encontra-se todo suado, coitado. Faço da minha mão um leque e começo a abanar. Ele vira-se e agarra na chupeta. É bom sinal. Quando faz isto geralmente adormece. Continuo a abanar a mão. Um quarto de hora depois está a dormir. Os deuses estão do meu lado!
Preparo a minha refeição. Obrigado por terem inventado o micro-ondas. De repente oiço um choro. É ele. Deve ter caído a chupeta, espero eu. Chego ao quarto. O ar é quente. É o raio do calor. Dou-lhe a chupeta e abano-o mais um bocado, acaba por adormecer.
Esta soneca prolonga-se por uma hora. São 15.00 PM toca o telemóvel. É a mãe a avisar que vai chegar mais cedo. O puto deve estar a acordar. Dito e feito. Acorda a chorar. Sempre acordou a chorar. Vou busca-lo. Fico a brincar com ele até a mãe chegar. Esta é definitivamente a melhor parte do dia. Chegou a mãe. Por hoje já está.
Introdução
Serve também este blog para publicar algumas folhas soltas do diário de um pai. Assim, resolvi dar hoje inicio a uma série de 10 crónicas diárias, tantas quantos os dias úteis da minha baixa parental, onde vou relatar o meu dia-a-dia como meu filho de 5 meses. Optei por ficar a tomar conta dele em vez de o mandar para casa dos avós. Assumo que sou pai a tempo inteiro, presente em todos os momentos: para a brincadeira e para a mudança de fralda (ugh!).
A dúvida
Contar ou não contar, eis a questão? Perdi algum tempo a pensar se traria alguma vantagem. A balança tem dois pratos: num deles encontra-se a curiosidade em saber o n.º de visitantes que lê o meu blog, no outro está o incomodo se descobrir que ninguém lê o que escrevo. Acho que vou arriscar. Pelo menos uma pessoa sei que lê o meu blog: essa pessoa sou EU !!
segunda-feira, agosto 04, 2003
Pergunta indiscreta ?
Qual a quantidade e qualidade dos meios de combate a incêndios que poderiam ter sido adquiridos com os milhões de euros que o Estado vai disponibilizar para apoio das populações, bombeiros e autarquias afectadas pelos incêndios?
domingo, agosto 03, 2003
Imagens de Agosto
Se há imagens, que ano após ano, me entristecem no mês de Agosto, essas imagens são as dos incêndios que lavram por esse Portugal fora e as das famílias que perdem os seus haveres numa noite quente de Verão. Se há declarações, que ano após ano, me revoltam no mês de Agosto, essas declarações são as dos responsáveis políticos, que para se ilibarem das responsabilidades, ditam o chavão “...estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance...”.
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