domingo, maio 06, 2007

VANESSA

terça-feira, abril 03, 2007

PAPÁ POSSO IR CONTIGO AO FUTEBOL?"

Esta pergunta feita pelo meu filho, no passado Domingo à noite, revela bem a inocência dos seus 4 anos. O futebol em Portugal não é um espectáculo de famílias, muito pelo contrário, existe sempre o risco da nossa integridade física ficar em causa só porque a bola entra ou não entra na baliza.

Parece que adivinhava. Já sentado no meu lugar no Estádio da Luz, fiquei surpreendido pelo facto da claque dos dragões, em vez de ficar situada no piso 0, como sempre aconteceu em anos anteriores, ocupava desta vez uma superior do terceiro anel, a escassos 50 metros do meu lugar. A desorganização do Benfica aliada à bestialidade da claque do Porto só podia ter um resultado previsível: arrebentamento de petardos (sete, contei-os eu) que atingiram pelo menos três sócios ou simpatizantes do Benfica, que sentados no piso 0 por baixo da bancada da claque visitante, saíram em maca quando tinham o direito de assistir sentados comodamente ao jogo porque pagaram bilhete para isso.

Da próxima vez que ouvir um dirigente desportivo a incentivar as famílias a irem aos estádios, gostava de o convidar (convite extensível à sua família) a deixar o bancada presidencial ou camarote vip e a vir-se sentar numa bancada junto daqueles que realmente sustentam a industria do futebol, de preferência ao lado ou por baixo de uma claque organizada. Pode ser que vibre mais com o espectáculo de futebol se sentir o cheirinho do petardo ou o fumo do very-light.

Da próxima vez que o meu filho me perguntar se pode ir ao estádio comigo, vou ter de explicar-lhe que a verdadeira razão de ele não poder ir é porque nos estádios portugueses andam animais perigosos à solta. Não me espantava nada que o meu filho, com a toda a inocência dos seus quatro anos, me dissesse: “mas papá, os animais perigosos não estão presos no jardim zoológico?

sexta-feira, março 30, 2007

O DEFEITO

Um pequeno partido sem expressão nacional colocou um único cartaz em plena Praça do Marques de Pombal, em Lisboa. Reagem contra uma imigração, não sei se a legal ou a ilegal, mas fazem-no dentro da liberdade de expressão que a nossa democracia e constituição concedem.
No entanto, de imediato, os arautos da liberdade logo se fizeram ouvir como donos da razão e da crítica à tentativa de censura teve como resultado a multiplicação de um único cartaz por mil. E num instante, Portugal inteiro ficou a conhecer o cartaz colocado em Lisboa por um pequeno partido sem expressão nacional.
No entanto não posso deixar de notar o quão difícil é viver nesta nossa democracia em respeito pela liberdade dos outros, porque os apologistas da liberdade são simultaneamente os agentes que promovem a sua proibição. A ilusão é o grande defeito da democracia!

segunda-feira, março 26, 2007

MAL MENOR

Foi escolhido "O Grande Português". António de Oliveira Salazar ganhou com uma percentagem de votos que não deixa dúvidas. Claro que se trata de uma sondagem transformada num concurso, mas a escolha de 41% de um universo de pelo menos, 210.000 votantes, não deixa dúvidas: este voto é de protesto e de critica ao actual "estado da coisas" em Portugal.

No entanto, esta vitória de Salazar apresenta dois méritos: primeiro porque vem lembrar a alguns “caça-fascistas” que ultimamente populam por ai, que a nossa história em geral e o salazarismo em particular, deve ser tratado com respeito e isenção; segundo, porque a vitória de Salazar é a derrota de Cunhal (2º lugar é o primeiro dos últimos) e todo Mal que este representa(va). Para aqueles que não se lembram como funcionava a ideologia marxista-leninista nos países pertencentes à extinta URSS, sobram ainda no mundo actual os exemplos de Cuba, China e Coreia do Norte.

Pessoalmente, se tivesse votado elegeria ou D. Afonso Henriques ou D. João II, mas atendendo às circunstâncias em que decorreu o concurso, a vitória de Salazar é um mal menor. Ficava sim envorgonhado como português, se o vencedor fosse o Cunhal com toda a simbologia que isso representava!

sexta-feira, março 09, 2007

DIALOGOS DESCONCERTANTES (1)

- Sabes pai, hoje na escola joguei à bola com os meus amigos.
- Boa filho! Marcaste algum golo?
- Não!
- Jogaste à baliza?
- Não... eu era o árbitro!!!

domingo, março 04, 2007

"TESOURINHO DEPRIMENTE DA TV"

Algumas semanas trás, noite fora, perdido no zapping, encalhei no canal AXN. O programa prometia. Um "directo" da entrega dos Globos de Ouro, com comentários em estúdio de uma tal Liliana Neves e de um tal Dário Oliveira. Confesso que só resisti a ver uns longos três minutos, tal era a “conversa da treta” para aquela hora da noite mantida pelos apresentadores, e desliguei. Vejo agora que fiz mal. Afinal perdi a oportunidade de ver em directo um “tesourinho deprimente da TV”. O programa não foi mau, foi estupidamente hilariante, de tal forma que a revista “Premiere” deste mês dedica-lhe uma página inteira, a transcrever as “pérolas” das questões cinematográficas abordadas pela apresentadora. Fico-me com estas:

(…)
00:35
Liliana Neves: “Sabes que eu estava a recordar da Annette Bening há dois anos. Ela há dois anos, ela há dois anos, Dário… E como eu estava a dizer, e como eu estava a dizer, Dário, eu lembrava-me da Annette Bening há dois anos. Há dois anos ela vinha de preto. Hoje está de branco. O que é que tu achas? Como homem, o que é que tu achas?”
(…)
01:27
Liliana Neves:”O que tu achaste do ambiente? A mim chamou-me muito a atenção, eu não sei, não sei se aí em casa ficaram curiosos, nós vimos as mesas redondas, vimos os copos, mas não vimos os pratos. Dário, eles não comem?”

Absolutamente Lindo!

domingo, fevereiro 25, 2007

NOITE DE ESTRELAS

Hoje, madrugada em Lisboa, noite em Los Angeles, premeia-se os melhores ou os mais aplaudidos ou os mais “politicamente correctos”. Enfim premeia-se. É a cintilante noite dos Óscares. Da minha parte posso dizer que tive um ano de “prato cheio” de cinema. Dizem os meus registos que a média que dá um filme por semana com uma nota de 7 (de 1 a 10). Para grande pena minha não vi todos os que queria ver e também não gostei de todos que vi, apesar de ter visto grandes filmes. Bem o suficiente para deixar aqui o registo, não sei se dos melhores, mas certamente dos meus preferidos:

Melhor Filme: “Entre Inimigos” (“The Departed”). “Babel” ficou de fora da corrida depois de ter visto “Cartas de Iwo Jiwa”. Mas depois acho que as “Cartas” se perdem na narração temporal dos acontecimentos. Não deixa contudo ser um dos melhores filmes de guerra a que já assisti e um excelente registo do lado humano da guerra.

Melhor Realizador: obviamente Martin Scorcese. Isto de Melhor filme sem melhor realizador é quase contranatura. E finalmente que se faça justiça ao responsável por “Táxi Driver”.

Melhor Actor: Forrest Whittaker. Bate aos pontos Di Caprio pela interpretação em “Diamantes de Sangue”. Leonardo é um excelente actor, mas penso que lhe faltam mais uns anos em cima daquela cara de bebé para se tornar realmente convincente.

Melhor Actriz: Helen Mirren. Para grande pena minha não vi "A Rainha", mas acredito na unanimidade que diz que este Óscar já tem o nome da vencedora escrito. Espero conseguir apanhar uma reposição no cinema depois do Óscar.

Melhor Actor Secundário: Comecei por eleger Mark Wahkberg ("Entre Inimigos"), mas depois de ontem ter visto “Diamantes de Sangue, a minha escolha vai para a excelente interpretação de Djimon Hounsou.

Melhor Actriz Secundária: aposto na surpresa da noite e o meu voto vai para... Adriana Barraza ("Babel").

Aceita-se o contraditório.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

MAU PÚBLICO

O Público mudou. No primeiro dia, estranhei; no segundo dia… estranhei. Salta-me logo à vista a despromoção da tira do Calvin & Hobbes, publicada desde sempre na última página, onde já tinha alcançado um estatuto de verdadeira instituição. A sua nova localização numa qualquer página perdida no interior do jornal, é daquelas alterações que nunca hei-de de entranhar. Regra geral as mudanças trazem coisas positivas. Aqui infelizmente funcionou a excepção.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

VENCEDORES E VENCIDOS

Como em qualquer disputa, no final há sempre quem ganha e quem perde. Eu aproveito esta 'cápsula do tempo' que é este blogue, para aqui deixar registado, até para memória futura, os grandes vencedores e vencidos da noite. Começo pelos que fizeram pior figura. Considero que o primeiro grande derrotado é o engenheiro Fernando Santos. Não obstante ser um defensor do “Não” conseguiu neste fim-de-semana fazer abortar mais um título para o Glorioso. Suspeito que que alguém não percebe nada do que anda a fazer. Segue-se Marcelo Rebelo de Sousa. Com a sua rábula “despenalização versus liberalização” conseguiu entalar o “Não”. Também temos de agradecer ao contraditório exercido pelos “gatos”. Nem o tempo de antena em “prime time” na televisão de todos nós, mais todas perguntas da Elisa (previamente ensaiadas) em vídeos do “you tube” (os mais vistos nas palavras do próprio) o salvaram. Provavelmente acabou-se aventura na 'net'. Depois temos a Igreja Católica Portuguesa. Um vista de olhos pelo mapa eleitoral e percebe-se que mais de metade do país já foi mais católico, leia-se, menos instruído. Em pleno século XXI temos um Portugal evoluído, por muito que custe a algumas organizações retrógradas, que estão 'congeladas' desde do século XIX. A fechar esta nada digna lista, aparecem todos movimentos e plataformas do “Não”. Tiveram a resposta adequada a todo o lixo e desinformação que produziram nas últimas semanas. Agora deviam ser obrigados a varrer as ruas!

Do lado dos vencedores, destaco somente a vitória das liberdades individuais de cada um. Bem haja!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

ASSIM SIM

ASSIM NÃO

Não posso deixar de voltar ao tema do referendo, até porque tive a perder tempo a ouvir os vídeos do Marcelo. O primeiro, que dura longos três minutos, ele fala, fala, fala, enrola na questão da despenalização versus liberalização, e no final ficamos sem saber que solução defende para acabar com o aborto. É contra a prisão das mulheres, mas também é contra a despenalização do aborto, conforme consta na pergunta do referendo. E no final o que é que sobra? Pura vaidade pessoal! Assim? Não!



domingo, fevereiro 04, 2007

VENTOS DE MUDANÇA

O FC Porto perdeu. Outra vez. E já lá vão duas derrotas seguidas. As causas podem ser de vária ordem, desde das ausências de Quaresma e Pepe (por castigo) até à falta de competência do treinador Jesualdo (lembro que, aos 60 anos, o professor no seu currículo como treinador principal não tem um único titulo para amostra). Mas isso agora não interessa nada. O importante aqui a realçar é que o FC Porto tornou a perder num jogo sem “casos”. Já lá vão os tempos quando a equipa jogava mal, lá surgia o penalty salvador no último minuto, a repor a “normalidade” da anormalidade do nosso campeonato. Agora anulam-se (e bem, conforme imagens na televisão) golos no último minuto. Bendito árbitro-auxiliar ou fiscal de linha, como queiram. Parece que finalmente sopram ventos de mudança no futebol português. Será do furacão “Morgado”?

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

HÁ POR AÍ ALGUÉM QUE PERCEBA O “NÃO”?

A nove dias do referendo pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez, e após algumas semanas a ouvir, ler e ver debates, sessões de esclarecimentos, outdoors, missas e missivas, confesso que ainda tenho dificuldade em entender os argumentos dos defensores do “NÃO”.

Defendem o “direito à vida”, mas não os vejo a contestar a actual lei, que permite o aborto, ainda que em determinadas circunstâncias; dizem-se contra a prisão das mulheres que abortam, mas são contra a despenalização do aborto; dizem-se responsáveis, mas promovem campanhas fundamentalistas; dizem que gostam de crianças, mas não entendem que qualquer criança para ser amada, tem de ser desejada; dizem-se democráticos, mas são contra o direito à escolha e querem impor a sua vontade aos demais.

Ou seja, procuro mas não encontro uma argumentação válida, um ponto de vista coerente. Os meios justificam os fins, e nesta medida tudo vale para disfarçar a defesa do indefensável, nem que se tenha de recorrer a falsas questões (“Não Obrigada” por exemplo) e campanhas vergonhosas (“Como foste capaz de me matar?” por exemplo).

Pondo de lado a questão das “fogueiras de vaidades”, do “status social” ou a auto-promoção, que é participar em campanhas e aparecer na comunicação social, há por ai alguém que perceba o que querem os do “NÃO”?

quarta-feira, janeiro 24, 2007

EM NOME DO PAI

Lembro de ter lido algures na blogosfera (não consigo precisar onde) que “os Estados democráticos só devem criminalizar uma conduta quando ela seja consensualmente condenada pela sociedade”. Nada mais verdadeiro. Isto a propósito da recente condenação a seis anos de cadeia do sargento Gomes pelo direito que lhe assiste em defender a sua família. Como pode, quatro anos depois, uma família seja adoptiva, de coração, como queiram chamar, ser desconsiderada e condenada em favor de um indivíduo que recusou a paternidade e abandonou a mulher grávida? Quatro anos depois, é do interesse da criança fazer a distinção de quem é o pai biológico ou o pai "afectivo"? Ponha a Justiça os nomes que quiser, mas Pai é aquele é aquele que não abandonou, aquele que cuida, que protege, que educa, que acompanha, que está sempre presente. Eu sou Pai e falo com conhecimento de causa. Com sentenças destas, a mim custa-me a crer que algumas leis da nossa Republica sejam escritas por pessoas de bem!

SCARLETT

Fui ver “Scoop” de Woody Allen (WA). O filme é giro, tem alguns diálogos engraçados e mais uma vez o realizador-actor a fazer o papel que lhe é característico de “tonto” e pouco mais. Definitivamente não aprecio WA. Tento é perceber onde está a grandeza e a genialidade que atribuem a este realizador. Já tinha ido ver a “obra-prima” (segundo a opinião quase unânime dos críticos da praça) “Match Point”, mas confesso que saí do cinema sem a encontrar. Afinal tratava-se de mais um filme cheio de clichés, lugares comuns, situações óbvias. Pergunta: Mas se os filmes de WA são assim tão maus, porque que me castiguei em ir ver os últimos? A resposta a esta pergunta parece-me óbvia: Scarlett!

segunda-feira, janeiro 22, 2007

CINEMA

Com “Babel” primeiro e “As Bandeira dos Nossos Pais” depois e, neste fim-de-semana, o meu cartão de cinema ficou pago. Na prática, agora até finais de Março, o cinema para mim tornou-se gratuito. Quanto aos filmes que vi, “Babel”, assenta na teoria que o bater de asas de uma borboleta no Japão… estranha-se e depois provavelmente entranha-se… Quanto ao filme do Clint, penso que o brilho ficou para a segunda parte do díptico. Para ambos 7 em 10.

Mas o que eu queria realmente dizer era que o que mais me empolgou nesta sessões de cinema, nem foram os filmes, foi um trailer que as antecedeu, de um minuto e meio de “300” de Zack Snyder. É com filmes assim percebe-se que o cinema é para ser visto em salas de cinema. Menos que isso e não vale a pena!

Para quem não sabe, “300” conta a história de um grupo de trezentos guerreiros espartanos, liderados pelo Rei Leonidas de Esparta que enfrentaram o poderoso exército da Pérsia, composto por mais de 500.000 homens, na batalha do desfiladeiro das Termópilas, no ano 480 A.C. e mais que baseado é a transposição da graphic novel de Frank Miller. Quando estrear recomendo vivamente!

terça-feira, janeiro 16, 2007

OS PORTUGUESES

Foram finalmente divulgados os nomes que compõem os 10+ dos “Grandes Portugueses”. Apesar do meu preferido, Nuno Alvares Pereira, não constar desta lista, considero que foi feita uma selecção de nomes sóbrios em absoluto contraste com algumas aberrações votadas nos 100+.

Se a votação fosse séria, o povo português revelava uma ignorância estúpida em relação à sua história; se a votação foi na brincadeira, o povo português é dotado de um humor negro refinadíssimo. Quem mais se lembraria de colocar Pinto da Costa (17º) à frente de Nuno Alvares Pereira (18º)? Bem sei que uma grande maioria da população se alimenta de futebol e novelas, mas porra se queriam votar ao menos que consultassem um manual de história para perceber porque razão existimos hoje como nação independente e não como província espanhola!!!

Bem sei que votações valem o que valem, mas o resultado final será sempre um indicador, um reflexo dos valores e da cultura de povo. Esperemos pelo resultado final.

Da minha parte, afastado que foi Nuno Alvares Pereira, balanço entre D. Afonso Henriques ou D. João II. Aguardo pelos argumentos dos respectivos defensores para me decidir.

domingo, janeiro 07, 2007

DEDICADO AO ATLÉTICO (da 2ª Divisão)

Lisboa já tem sol mas cheira a lua,
Quando nasce a madrugada sorrateira
E o primeiro eléctrico da rua
Faz coro c'oa chinela da Ribeira.
Se chove, cheira a terra prometida,
Procissões têm cheiro a rosmaninho.
Na tasca da viela mais escondida,
Cheira a iscas (com elas) e a vinho.

Um craveiro numa água furtada,
Cheira bem, cheira a Lisboa!
Uma rosa a florir na tapada,
Cheira bem, cheira a Lisboa!
A fragata que se ergue na proa,
A varina que teima em passar,
Cheiram bem porque são de Lisboa,
Lisboa tem cheiro de flores e de mar!

Lisboa cheira aos cafés do Rossio,
E o fado cheira sempre a solidão,
Cheira a castanha assada, se está frio,
Cheira a fruta madura, quando é Verão.

Nos lábios tem o cheiro dum sorriso,
Manjerico tem o cheiro de cantigas,
E os rapazes perdem o juízo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas.

sábado, janeiro 06, 2007

SERÁ PREFERÍVEL?

O Papa numa das suas recentes intervenções igualou o aborto ao terrorismo. Numa santa terrinha portuguesa, um padre distribuiu panfletos pela população com imagens de fetos mortos. Nada de anormal, até porque a Igreja nunca precisou de argumentação válida para impor os seus fundamentalismos.

Um folheto depositado na minha caixa de correio, depois de dissertar sobre um corpo de 14 gramas e 6 centímetros de comprimento, pergunta-me se já pensei “nas consequências de uma lei que liberaliza o aborto até às dez semanas?”. Já pensei, e? Da parte dos partidários do "NÃO" ainda só vi campanhas-choque e frases sensacionalistas descontextualizadas..... desconfio que eles é que ainda não pensaram!

Aliás toda esta desinformação só me leva a pensar que, para além da falta de ideias válidas, os partidários do “NÃO” não vivem no nosso país. Vivem com certeza no mundo cor-de-rosa onde o Estado apoia e incentiva as famílias a terem muitos filhos, onde não morrem crianças vítimas de maus-tratos, onde as crianças não mendigam nas nossas estradas, onde as crianças não são vítimas de trabalho infantil. Como eu gostava de ouvir argumentos válidos para os problemas do mundo real, para as alternativas que têm uma mulher, quando sem condições sociais ou financeiras, se encontra perante uma gravidez não desejada:

- é crime abandonar um recém-nascido num hospital; a alternativa actual é abandonar o bebé em casas-de banho públicas ou caixotes de lixo. Será preferível?

- não pode fazer um aborto seguro num hospital público; a alternativa actual é faze-lo de forma clandestina, pondo em risco a sua própria saúde. Será preferível?

- se dá a luz uma criança não desejada, ganha uma “prisão”; se faz um aborto incorre num crime de prisão. Será preferível?

- uma criança não desejada, é meio caminho andado para que essa criança seja criada sem amor, num ambiente hostil, com um futuro hipotecado logo à partida. Será preferível?

NÃO OBRIGADA.

O preferível era mesmo que os portugueses que vivem num mundo real, votassem no referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, de acordo com a sua própria consciência, e não conforme o absurdo que os outros querem, os tais que vivem no país rosa menina/azul menino.

terça-feira, janeiro 02, 2007

You see things and you say “Why?”; But I dream things that never were; and I say “Why not?"

Bernard Shaw